jennifer_garner_ellen_page_juno.jpgFilme do diretor Jason Reitman tem atuação impecável de Ellen Page na pele de garota que engravida

O que surpreende no filme é como os personagens enfrentam a gravidez da filha adolescente com tanta naturalidade. Isso de certa forma o torna inesquecível. O filme, em cartaz no shopping Internacional, possui a capacidade de despertar em cada um de nós aquele lado mais inocente.

Excelente no papel de Juno está a canadense Ellen Page, que começou no cinema aos 10 anos. Em toda a sua carreira, e até o momento, já recebeu 18 prêmios como melhor atriz. Ela é a alma do filme. Os diálogos parecem ter sido criados para ela. A obra venceu o Oscar de Melhor Roteiro Original, graças ao excelente trabalho de Diablo Cody, considerada a roteirista-sensação do momento. Este é seu primeiro roteiro – e, por sinal, muito bem elaborado –, com diálogos bem espertos, apropriados para uma adolescente segura de si, que adora o rock n’roll dos anos 70 e que encara a vida com espontaneidade. Em nenhum momento a personagem pareceu ser irreal ou artificial. Mostra também a fragilidade da atual geração.

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Em “Juno” a trilha sonora dialoga bem com o enredo. E jogam papel fundamental os atores escolhidos para sustentar uma trama simples, mas evocativa.

O diretor Jason Reitman (“Obrigado Por Fumar”) dá uma lição ao questionar o descaso da sociedade americana com os jovens, induzindo-os a escolhas que nem sempre são as melhores.

Vale a pena conferir: é um filme inteligente e sensível como poucos, que talvez reinvente nosso modo de encarar a realidade.

por Carla Garofani
na Olhão.com.br

drag_me_to_hell_ellen_page.jpgO filme de Sam Raimi, “Drag me to Hell”, uma fábula moral sobre uma menina que é vítima de uma maldição sobrenatural, não vai poder arrastar Ellen Page para o lado errado de Hollywood, pelo jeito.

De acordo com a revista online de filmes de terror Bloody-Disgusting a equipe de “Drag me to Hell” recebeu a notícia de que “Ellen não gostou da última versão do script” e que declinou de participar do filme.

Apesar dos comentários indignados de algumas revistas, talvez tenha sido a melhor medida possível para alguém que quase ganhou o Oscar e que começa a perceber seu potencial para conseguir papéis mais sérios e se afastar de estereótipos que poderiam prejudicar sua carreira.

A notícia foi confirmada pelo site Horror-Movies, que recebeu a notícia diretamente da Mandate Pictures, por e-mail.

As próximas decisões de Ellen Page vão definir sua carreira daqui para frente. Mesmo não tendo ganho o Oscar, a atriz recebeu outros 19 prêmios e 14 indicações, o que a eleva à outro patamar em Hollywood.

ellen_page_kitty_pride_shadowcat_xmen.jpgNão podemos nos esquecer da talentosa mas sub-utilizada Anna Paquin, que tem tido grande dificuldade de despontar em Hollywood e conseguir bons papéis - mesmo em bons filmes como “Procurando Forrester”.

Paquin, cuja carreira prometia mas foi sumindo inexplicavelmente, chegou a dividir a tela com Page em “X-Men III”[bb], entretanto seu personagem acabou sendo prejudicado pela escolha ambígua de deixar de ser quem é por amor…

Ellen Page vem fazendo ótimas escolhas até agora e eu não pensaria duas vezes antes de dizer que sair do elenco de “Drag me to Hell” foi mais uma decisão acertada.

Abaixo um vídeo de sua presença cativante, como Kitty Pride, em “X-Men III”[bb]:

Assista no YouTube…

ellen_page_juno_dvd_eua_cover.jpgHistórias de amor eterno são tratadas de duas formas distintas no cinema. A primeira é de maneira fantasiosa: garota espera o príncipe encantado e ambos vivem felizes até os 80 anos, quando morrem de mãos dadas. A segunda é de forma cínica: o amor eterno não existe e a complexidade da relação um dia exigirá seu preço, jogando o casal (ou um dos lados do casal) numa orgia de confusão sentimental. Quando um filme consegue escapar dessas visões maniqueístas, uma obra-prima se forma. Foi assim com “As Pontes de Madison”, sobre o amor versus comodismo. Foi assim com “Antes do Amanhecer”, sobre o amor versus a inconveniência da distância. E é assim com “Juno”, surpresa indie do ano que consegue juntar a magia inocente do primeiro amor e as dificuldades desse amor (?) se manter na vida adulta.

O tema é trabalhado de maneira inteligentíssima pelo roteiro de Diablo Cody. Sua Juno (Ellen Page, sensacional), a garota que fica grávida na primeira transa e decide passar o filho (ou “a coisa”, como costuma dizer) para um casal infértil, é uma daquelas personagens antológicas, apaixonantes e reais. Ao contrário da maioria das criações femininas jovens do cinema, Juno tem uma decisão a tomar e encara isso de forma verdadeira. Não há pais desajustados que irão chorar pelo destino “da minha menininha”, não há o namorado canalha (nesse caso, há o frágil corredor vivido por Michael Cera) e não há uma protagonista idiota e desesperada – é uma garota de inocência assumida, mas lida com isso de maneira esperta.

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No meio de tanta bizarrice que vemos em filmes sobre adolescentes, Jason Reitman despiu-se do cinismo que apresentou em “Obrigado por Fumar” e se revelou um diretor sensível e consciente de suas criações. E assim tratou o casal mais velho vivido por Jason Bateman e Jennifer Garner. É um cara com ambições diferentes, roqueiro e fã de filme de terror e quadrinhos, que evita se dedicar a isso porque a mulher não gosta. Essa relação simbiótica (ele se deixa levar pelo amor que sente e ela não percebe que mata o homem por quem se apaixonou ao poda-lo de seus prazeres) é cruel e comum.
Talvez seja o melhor de “Juno”: passar duas horas com pessoas interessantes que podem estar ao seu lado.

por Rodrigo Salem
na Revista Set